quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Eliminando Redes Sociais

 Olá pessoal, espero que esteja tudo bem convosco.

 

Visto que estamos em janeiro, continuo com algumas resoluções que já tinha testado como podem verificar nesta publicação, sobre o detox digital.

 

No entanto, desta vez decidi mesmo cortar com as redes sociais, eliminando de facto as minhas contas das plataformas onde gastava a maior parte do meu tempo (sim, desta vez uso o verbo “gastar” em vez de “investir”).

 

Comecei com o Twitter, porque era a rede que menos usava, essencialmente para acompanhar a temática política, mas como em qualquer outra rede social e, principalmente, desde o início da pandemia, tornou-se um depósito de frustrações e ódios desmesurados.

 

Seguidamente, passei para a plataforma onde passava a maior parte do meu tempo: o Instagram. E aqui sim, de facto percebi que isto é verdadeiramente um vício. 

Comecei por eliminar a app do meu telemóvel e de seguida segui os passos para a eliminação da conta. 

Curioso, ou não, nos primeiros dias, dava por mim a desbloquear o telemóvel e a clicar no lugar onde outrora estava a app, o que me levou a entender que bastava eu sentir-me um pouco aborrecido para procurar rapidamente qualquer coisa para me distrair.

 

Por fim, desativei a minha conta do Facebook, mantendo o Messenger para contactos. Este também não me custou muito pois já não fazia muita questão de visitar.

 

Tomei esta decisão após muita ponderação, visualização de vídeos de pros e contras, no entanto o clique deu-se após ter assistido ao documentário no Netflix sobre o Dilema das Redes Sociais

 

Sendo assim, os motivos pelos quais decidi avançar com isto foram os seguintes:

 

Importância do tédio:

Quantos de nós vão dar uma checkada ao Instagram, ao Facebook quando nos sentimos aborrecidos e queremos um pouco de atenção? Eu confesso, sou essa pessoa, aborreço-me muito facilmente, porque sejamos honestos, a vida não é uma constante de coisas a acontecer.

Para quem, como eu, ainda nasceu e cresceu numa era pré internet, lembra-se como eram passados os tempos mortos? 

É em momentos destes que a nossa criatividade fala mais alto, ou pelo contrário, que os nossos pensamentos mais obscuros tomam conta de nós. 

E ambas as hipóteses são boas para nos entendermos enquanto pessoas, legado e valores que queremos cimentar.

É preciso valorizar mais o tempo morto e não ocupá-lo com recompensas vazias.

 

Ansiedade:

A falsa necessidade de que temos que saber a todo o momento o que se passa com todo o mundo. É a maior mentira do mundo. 

Voltemos a honestidade, ninguém quer saber o que eu estou a fazer, do mesmo modo que ninguém quer saber onde tu estás.

Não vais perder o que se passa no mundo por não teres redes sociais.

 

Falta de Contraditório e Pensamento de Manada:

Atualmente os algoritmos utilizados são cada vez mais sofisticados, de tal modo que as sugestões e as publicações que são apresentadas vão de encontro às nossas preferências.

Mas será que é isso mesmo que precisamos? Ficar fechados na nossa redoma? 

Para quem não tem a aptidão de colocar tudo em causa, as redes sociais acabam por fechar ainda mais essa possibilidade, acabando por ficar de tal modo envolvidos nessa realidade que é apresentada que tudo o seja diferente é errado e a eliminar. 

 

Extremismo e Falta de Tolerância:

Numa época em que há tanta informação, temos verificado que valores como a tolerância e o respeito por visões de vida e opiniões diferentes são vistas quase como criminais e a abater ferozmente. 

Neste ano de pandemia, causas nobres em busca da equidade social, de género, racial, etc estão a ser minadas por movimentos que simplesmente não toleram opiniões diferentes (tanto pelos ditos mais progressistas como pelos mais conservadores).

Estes temas serão sempre muito discutíveis, mas é exatamente disto que se trata, a discussão parece que é proibida e o debate não pode acontecer. 

Penso que as redes sociais têm ajudado a minar estas causas.

 

Distração:

Este pode parecer um pouco contraditório com o primeiro ponto. 

Com o dia a dia tão intenso que temos, precisamos de alguns momentos de fazer um reset, ou de mandar umas doses de dopamina para o cérebro, e as redes sociais têm esse dom.

O problema aqui é que 5 minutos de redes sociais acabam por se tornar em horas. 

 

Excesso de informações:

Não fomos feitos para assimilar a informação que é atualmente disparada por todo o tipo de plataformas e por isso mesmo sentimo-nos na maior parte das vezes frustrados e com a sensação de estarmos a ficar para trás.

E tal como referi no ponto da ansiedade, nós não precisamos de saber o que se passa a cada momento.

 

Até ao momento, tenho encontrado as seguintes vantagens:

 

O dia nunca mais acaba:

Dei por mim com tanto tempo livre que não sabia de todo o que fazer.

Depois lembrei-me que faço parte da última geração que ainda viveu numa fase pré-internet. E por vezes voltar a velhos hábitos pode ser bom.

Comecei a ler mais, a escrever, aprender sobre qualquer coisa on-line, a assistir séries e filmes que estavam na bucket list. 

Outras vezes simplesmente deixo-me estar deitado a deixar a minha cabeça seguir por onde ela quer.

 

Continuo a saber o que se passa no mundo:

Não preciso de redes sociais para saber o que se passa no mundo a toda a hora.

Continua a existir canais de televisão,  jornais online, páginas de artigos de opinião (normalmente mais detalhados e não apenas com noções vagas).

Ou posso simplesmente perguntar a um amigo as novidades do mundo.

 

Dias leves, menos negativismo:

Menos comparações (mesmo que inconscientes) com os outros, menos negativismo devido a ausência da destilaria de ódio que atualmente são as redes sociais, dou por mim mais calmo, mais leve, menos ansioso com o futuro, mais focado no presente.

 

Menos tempo de ecrã:

De 6 horas diárias em frente ao telemóvel, consigo passar para cerca de 2 horas no máximo. Futuramente escreverei com mais detalhe sobre este tema.

 

O que mais importa passou naturalmente para primeiro lugar:

Objetivos pessoais, família e amigos. 

Isto é o mais importante. Não podemos ser reféns dos estímulos das redes socais, nem dos algoritmos que nos tentam vender bens e serviços que na realidade não precisamos.

 

Mantive o LinkedIn por motivos profissionais, e o Pinterest e YouTube para inspiração e aprendizagem informal e, logicamente, este blogue pessoal.

 

Acima de tudo, volto a reforçar que não estou a incentivar que saiam das redes sociais, até porque o mais certo é eu voltar um dia. 

 

Mas penso que efetivamente precisamos de dar um passo atrás e colocarmo-nos em perspectiva sobre os efeitos que as redes sociais estão a ter sobre nós e se somos ou não capazes de lidar com estímulos constantes, com feeds manipulados com base em algoritmos que apenas nos apresentam aquilo que num determinado momento eram os nossos interesses bloqueando-nos inconscientemente de pormos em causa esses mesmos interesses. 

 

Até ao dia de hoje estou a gostar da experiência e penso voltar a este tema futuramente.

 

Em tom de conclusão, espero que tenham gostado, sintam-se livres de comentar e partilhar. 

 

Abreijos e até à próxima.

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